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Na frente da casa havia um jardim.As rosas, predominavam no espaço.Havia de todas as cores e tamanhos.Entre elas, sabiamente plantados encontrávamos pés de hortelã, salsinha, cebolinha, salsão...Nas noites quentes, escuras, estreladas sentíamos o perfume da dama-da-noite(nunca mais o esqueci).Sobre o muro, bastante desgastado pelo tempo uma flor de extrema e rara beleza abria-se de tempos em tempos.Havia paz, recolhimento, a vida que brotava dando continuidade à história.No entanto, não conseguia entender (e até criticava!) o porquê daquele buraco aberto num cantinho onde ela jogava cascas de frutas e ovos, borra de café e tantas outras coisas que infelizmente o tempo apagou de minha memória. Prontamente ela responderia se eu perguntasse. Isso, faz tempo...Um longo tempo. Mas não o suficiente para que eu a esqueça e ainda a veja de lenço na cabeça, avental amarrado nas costas, óculos com armação pesada, semblante fechado, mas que se abria num sorriso quando me chamava para comer batatas cozidas e leite coalhado.Tinha sua própria didática no modo de ser, julgar, amar.E quanto amor recebi daquela imigrante lituana, que amou até o fim de seus dias a pátria que deixara para trás de forma tão irreversível no começo do século XX.
Naquele tempo, eu era criança e não entendia que as partidas eram sem volta:ia-se com a alma, as roupas enfiadas num saco e o coração dividido de esperança e medo. E então...No meio de suas muitas histórias contadas numa sala grande cheia de lembranças e objetos marcados pelo tempo, dizia-lhe toda faceira e feliz: -"Vó, não fique triste não!Quando eu crescer nós vamos juntas para a Europa porque eu quero conhecer o pé-de-maçã que a senhora sempre fala e tentar entender como é esse forno que aquece sua casa no inverno. - Você me leva?"E ela, já com os olhinhos bastante cansados, mas eternamente azuis como a água do mar mais lindo, respondia: -"Claro!"
Ela morreu...E nunca saímos daqui...Por isso choro. Me perdoa, Vó. (Crédito das fotos: Denise Arcoverde/Travel-Del-Roads ) Escrito por Sô às 20h45 [ ] [ link ]
"Às vezes você sente necessidade de dar um tempo para aprofundar o conteúdo e os fatos que têm alimentado sua vida.Sair do piloto automático do ir, vir, fazer, pensar, cumprir a agenda, satisfazer os desejos dos outros. Sair e liberar corpo e alma para insights. Acontece que...infelizmente, não consigo levar ao pé-da-letra tudo o que leio desses célebres hinduístas. Escrito por Sô às 09h15 [ ] [ link ]
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