"Uma canção é pra isso"
Autor: Samuel Rosa - Chico Amaral
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Quando: Carrossel - 2006
"Uma canção é pra acender o sol
No coração da pessoa
Pra fazer brilhar como um farol
O som depois que ressoa
Uma canção é pra trazer calor
Deixar a vida mais quente
Pra puxar o fio da paixão
No labirinto da gente
Pra consertar, pra defender a cidadela
Pra celebrar, pra reunir o bairro e favela
Uma canção me veio sem querer
Naquela hora difícil
Joguei-a logo nesse iê iê iê
Por profissão ou por vício
Pra clarear a escuridão que o mundo encerra
Pra balançar, pra reunir o céu e a terra
Uma canção é pra fazer o sol nascer de novo
Pra cantar o que nos encantou
Na companhia do povo"
(Bal bandida, lê embaixo)
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Escrito por
Sô
às
18h09
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Ela não sabia...
... mas não ouvia música há alguns anos. É algo que mexe diretamente com minha sensibilidade e consegue abalar toda minha estrutura. Intencionalmente não quero entrar em contato comigo mesma evitando explorar "meus" sentimentos, "minhas" necessidades, "meu eu mais profundo e puro". Se faço isso, falho diante daqueles que precisam de mim.
Mas seus olhos azuis brilhavam de alegria numa emoção que poucos conhecem e então...Radiola se pôs a tocar. Impossível não me encontrar pelo menos uma frase de cada canção, era como se tudo fosse escrito pra mim... O tempo andava freneticamente diante dos meus olhos e eu passeava por um túnel imaginário onde revia cronologicamente a infância contida nos versos de "Um Mais Um" podendo se encaixar perfeitamente na somatória da amizade que nos une, marcada por personalidades diferentes, mas onde juntas enfrentávamos multidões; em "Amores Imperfeitos", que verso por verso declarou um rompimento, as noites eternas passadas em claro na longa espera pela pessoa idolatrada, na dor do arrependimento de ter causado decepções, na esperança da reconciliação e a tentativa de implorar que ele nunca esquecesse nossa "Balada de Amor". Como não viajar em "Vou Deixar" e desejar embarcar numa estrela qualquer que me levasse pra qualquer lugar, menos ficar aqui nos momentos de tantas perdas e separações? E de que forma não absorver as palavras de "Vamos Fugir" convite que tantas vezes fiz ao Vá quando minhas forças começavam a se esgotar diante de soluções não encontradas onde a alegria, juventude, risadas, carinho, aroma doce de inocência e calor do sol se faziam ausentes?
Então os olhos marejaram e as lágrimas teimaram em cair, tal qual "Dois Rios". Brotou saudades, dor, dúvidas, medo, tristeza, vontades, verdades, solidão, necessidades. Notei , que associava a música à sentimentos negativos, logo eu que tenho um modo todo Pollyana de encarar a vida!E...de algo que julguei injusto e imperfeito, resolvi tornar perfeito.
A voz saiu...expulsando fantasmas e incertezas. Chorei muito porque precisava desse resgate, desse colo de mim para eu mesma . Digo tanto para as pessoas não se abandonarem mas havia deixado de "me mimar" há anos. Apesar da terapia ter resolvido muitos conflitos, ainda existem muitas gavetas fechadas e o que mais quero é abrí-las e ser feliz!
Amiga, obrigada por você ser poesia, me completar com o seu pé no chão, ser razão e sensibilidade ao mesmo tempo.
Beijinhos, chá, bolinhos e blinas pra nós...pois merecemos!

Escrito por
Sô
às
10h38
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Vó, vó canta a música do urubu!!!

Urubu veio de riba
Com fama de dançadôôô...
Chegô no salão
Tirô dama e num dançô...
Ora dança, urubu...
- Eu não senhô !
- É por causa de quê?
- Eu sou doutôôôôô...
Nossa...hoje relembrando essa musiquinha vejo perfeitamente a Vó Nilda cantando-a!
Quantas vezes a fiz repetí-la e achava o máximo a letra, a música, sua voz !
Era algo que me embalava e remetia à uma festa no céu inexistente, onde pato dançava com pata, ganso com gansa, galo com galinha, urubu com "urubua"...
Engraçado, que em minha imaginação só havia casais de "aves" e eu montava um cenário perfeito, uma festa tipo black-tie com cores, aromas, quitutes, orquestra e magia. As estrelas eram incontáveis, o escuro da noite poderia ser comparado ao breu, os caminhos que levavam ao palco e salão eram perfumados pelas gardênias, escondidos por capim dourado e iluminados por tochas de citronela.
Esse período de vida, a infância, povoada por seres tão diversos, talvez mostrasse o meu desejo do entendimento entre os homens onde não havia a necessidade de linguagem própria, domínio de um ser sobre outro, ausência de sentimentos, separação entre humanos (êpa!!!) e animais.
E onde a frase "...e foram felizes para sempre!" era dita exaustivamente e a história e fantasia perpetuavam sempre!
"Urubu veeio de ribaaaaaaaa..."
Beijocas mil!
Escrito por
Sô
às
19h20
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Passado, Presente e Futuro
Quando surgiu novamente a vontade de "blogar" pensei muito, muito mesmo. Já carregava uma experiência negativa lá pelos anos de 2003 e me sentia desestimulada. No entanto, as fotos e documentos descobertos de minha avós, o reeencontro com minha amiga de infância, o contato comigo mesma, necessitava de alguma forma ser registrado. Então, andando pela NET, casualmente, vi trabalhos da doce Renata. Tudo foi muito rápido e simples, ela leu minha alma e fez esse lindo LO. Quando pronto, pensei...e agora amiga, tá pronto! Apesar de gostar de artesanato, de fotografar, não era nada disso que queria postar...existiam coisinhas que me incomodavam e precisavam de um registro no papel. Sim...minha memória em meio a linhas e letras. Então, à princípio comecei pelas fotos de infância, a recordação de trabalhos escolares, as brincadeiras, a saudades das "minhas fofas", que se foram...mas faltava algo. Tinha uma parte, um episódio muito doloroso pelo qual havia passado e que inconscientemente não queria tomar contato. Resolvi abrir as gavetinhas, né Bal? e rever o conteúdo daquela que me incomodava mais. Dentro, havia algo escrito datado de 2005. Fiquei mal, muito mal mesmo quando resolvi refazer a leirtura...doeu profundamente e analisando cheguei a conclusão que "quem canta seus males espanta" então resolvi postar o que havia escrito...
Quarta-feira, 27 de setembro de 2005
Primeiro dia sem você.
Inconscientemente esperei o dia inteiro por tudo aquilo, que marcou os últimos meses...
Meu olhar perdido na janela, meu ouvido atento a qualquer assobio, a ansiedade transformando meu rosto, minha pele, minha sanidade...
Rezei para que o telefone não tocasse e te tirassem daqui, onde tudo é acolhedor como útero que te aninhou.
Na minha insensatez, havia a esperança de que acordasse e fizesse as refeições conosco...
Que me convidasse à sair e retomar suas coisas que há muito ficaram para trás.
Difícil, muito difícil perceber que o único ruído da casa vinha do seu aquário sujo e abandonado e do andar lento e triste do cachorro pelo corredor.
Foi difícil aceitar que a casa estava vazia e que não podia sentir seu perfume tão marcante e pessoal, encontrar seu quarto bagunçado, brigar com você pela altura do som, reclamar que a TV não podia ser ouvida ...
Porém, ontem quando o deixamos naquele local voltei pensando (talvez na tentativa de me consolar) que não deveria me sentir triste, pois era como se voltasse pra casa logo após ter o meu bebê e o deixasse na maternidade para cuidados maiores e que brevemente você estaria entre nós. Mal sabia, que a estadia seria tão longa, com tantas dores, desamores, descompassos, barrancos, temores, indecisões, insanidade, solidão.
Mas precisava ser assim...tudo havia tomado um caminho tão perigoso, tortuoso, que acreditar e entregar...eram nossas únicas opções.
Confortei-me avaliando que, esses dias de separação (que se tornaram meses) haviam de te devolver à vida e que daqui a algum tempo estaríamos lado a lado caminhando então, com passos firmes e decididos rumo ao futuro que sempre imaginei.
Lully, te amo mais do que tudo e somente eu e Deus sabemos quanto isto me custa.
Gente...gente linda da minha vida qdo abri essa gaveta "desmoronei"...não esperava entrar em contato com esse passado tão recente e me machucar tanto!!!
Mas Deus é sábio e não me abandona NUNCA! Havia acabado de fazer a leitura quando fui convidada por uma mãe, que teve sua filha estudando com Lully por 8 anos, para integrar uma equipe de trabalho voluntário com idosos para ensinar ARTESANATO!!!
E agora...apesar do sofrimento de tal achado...sinto-me feliz! Sim, feliz porque troquei um pensamento ruim por um bom e serei útil no futuro para quem precisa de carinho, aconchego, atividade e lazer. E tenho certeza, será uma grande troca...pois também aprenderei bastante!
Beijinhos afetuosos no coração de todos!
Escrito por
Sô
às
18h25
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Minhas Deusas
Essas são as responsáveis pelo que sou hoje. Pessoas marcantes cada qual à sua maneira.
Vó Sofia 
Desteminada, dona de caráter marcante, desafiador, inflexível, objetivo. Inteligente e perseverante não hesitou em deixar sua pátria, seus parentes e amigos íntimos para enfrentear um mundo desconhecido além do oceano. Não teve receios diante do idioma e costumes, falta de moradia...simplesmente...veio. Quantas saudades Vó!!! das suas blinas, suas luvas tricotadas à mão, as histórias onde a neve caía como flocos de algodão e a sua força de vontade de escrever a aprender no gelo usando apenas um carvão! Deixou grande exemplo à todos e à mim, a vontade nata de ser viajante errante e percorrer seu caminho de volta em busca de minhas raízes. Que Deus esteja sempre ao seu lado, pois em vida lhe foi fiel e seguidora de sua doutrina. Lembrança, amor e gratidão serão eternos em minha vida!
Vó Nilda
Mais do que moderna para o seu tempo. Carinhosa, brincalhona, alto-astral, prestativa, vaidosa e guerreira. Ficou viúva quando meu pai tinha 12 anos e meu tio 5. Nem por isso deixou de lhes dar educação e afeto. Começou a trabalhar fora, o que era inédito na época, fez novos amigos e quando o tempo permitia ia a bailes, pic-nics e excursões. Foi meu porto seguro para tudo!!! E quando partiu...Deus, quanta falta me fez. Imaginei nunca mais recobrar a sanidade, pois a cumplicidade que existia entre nós jamais foi substituída por outra pessoa. Com ela aprendi a cozinhar, amar a jardinagem, a ter gosto pelo artesanato, pela leitura e experimentar a liberdade vigiada. Vózinha linda, você é minha luz celestial e me divirto lembrando suas "anedotas picantes", seus tangos e boleros cantados numa mistura de português e espanhol e suas façanhas de menina ao lado de seus irmãos. Sei que aí do outro lado, me espera...e quando eu chegar terei uma xícara de chá, pãozinho com manteiga Paulista e virá correndo "segredar" o novo esconderijo das chaves e do dinheiro amoitado! Amo-te muitooooo!
Mammys 
Essa é minha mãe coragem e, infelizmente não foi muito agraciada pela vida. Teve o infortúnio de perder o pai muito cedo pessoa por quem tinha predileção escancarada; em seguida, o filho e a separação do marido. Golpes fatais que marcaram definitivamente sua existência tornando-a triste e melancólica. A alegria, ou parte dela, voltou com o nascimento do neto, que é seu grande defensor, admirador, fã nº1. Passou anos difíceis, mas a união da família paterna para com ela, foi tudo! Figura frágil, porém perseverante. Anulou sua vida em troca do meu bem-estar e apesar de tudo que sofreu me ensinou a ser educada, ter boas maneiras, respeitar as pessoas, não retribuir o mal e muito menos guardar mágoa, a ser polida, coerente e principalmente, entender e amar ao próximo. Mãe, nenhuma homenagem que eu lhe faça, retribuiria o que fez por mim a vida toda. Essa sua eterna descrença onde se mostra falida e fracassada me incomoda muito! Saiba que a considero minha santinha e não há necessidade que alguém a canonize ou espere um milagre para te beatificar. MILAGRE...a senhora fez com a própria vida quando se pôs em pé e foi à luta após tantas perdas. Embora frágil fisicamente é com certeza, A MAIOR MULHER QUE CONHEÇO!
Beijinhos afetuosos em todas e FELIZ DIA DAS MÃES!
Escrito por
Sô
às
17h17
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