Na maioria das vezes, otimista.
A idade alguém roubou e sumiu com ela. Descendente de lituanos, e como a maioria da 3ª geração daqueles que nos antecederam e escolheram Terra Brasillis como nova pátria, curiosa em saber como minha história começou. Nada fácil... Procuro harmonia entre corpo, alma e espírito... quando chegar lá, eu aviso... Aqui, você vai encontrar apenas o registro das emoções, memórias e impressões de uma mulher comum e com uma história de vida, talvez, diferente da sua, que viveu uma época onde os sonhos não tinham limites e que liberdade era sinônimo de uma velha calça jeans, azul e desbotada.





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Bem, Natal se aproximando e sinto que é quase inevitável não fazer um balanço do ano que está por terminar. Muitas conquistas, algumas derrotas, perdas de pessoas extremamente queridas, que deixaram saudade, muita saudade... O que dá um certo alívio é saber que aquilo que pude fazer em vida, foi realizado...e apesar de não amenizar a dor, terei que conviver com a falta dessas pessoas que fizeram parte de minha história.

Sr.Orides, pai postiço         Meu sogro, Sr. Moysés

Faltou a foto da minha Mãe Acreana, Irlanda... única pessoa que realizou um dos meus tantos sonhos: me levar p/ Amazônia.

Mamãe Noela!

E assim,  a cada Natal os cartões diminuem, os telefonemas idem, a euforia na preparação dos pratos preferidos de cada um não gera tanto interesse, há um grande comodismo no ar.

Amo festa em família (apesar de ser bem pequena) e passei esses valores ao meu filho. Tivemos Natais memoráveis e sempre ficou muito claro  para mim  que as datas familiares têm de ser vividas intensamente e se transformar em encontros importantes e espontâneos de felicidade.

As festas começaram a desaparecer com a morte da "matriarca"...parece que tudo perdeu o sentido! Em seguida, minha única prima casou-se e foi morar na Holanda. Seu irmão, meu único primo, transferido pela Empresa para Holambra e eu...fiquei por aqui, no ABC. Hoje, é dificil até nos encontrarmos.

Tudo acontece tão de repente em nossas vidas, que leva um tempo para que possamos digerir os acontecimentos. Principalmente, quando você convive com pessoas com pensamentos totalmente opostos ao seus.

Quem sabe, ainda haja tempo de um milagre de Natal e nesta Noite eu seja abençoada e agraciada com algo que jamais espero?

Feliz Natal à todos e que Cristo esteja presente na vida de cada um a partir desse momento!

Que a Paz esteja presente em todos os lares!

 



Escrito por Sô às 01h23
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Fatos desconhecidos

 

Ah! O que vocês não sabem é que tenho uma prima morando na Holanda com um blog superpolêmico (será que é assim que se escreve com a nova lei ortográfica?), famoso, inteligentérrimo e porque não dizer "metido"?!? Há quem a ame ou odeie...não existe o meio termo.

Dias desses, através de uma conexão discada (sim pessoas...isso ainda EXISTE!) dei uma pincelada entre seus escritos e a questão do momento é sobre maternidade.

Santo Deus...ainda bem que a fofa é bem estruturada e rebate como ninguém às críticas e escritos.

Bem...o que quero deixar registrado é que na ocasião que perdi tragicamente meu irmão (então com 10 anos e eu 11) a Dri não havia nascido, portanto não presenciou os anos (sim ...ANOS) que se seguiram.

Tudo, cada detalhe, cada momento, ficou registrado em minha mente e naqueles idos não se falava em terapia, comportamento pós-traumático, psiquiatria ou coisa que o valha.

Até hoje, a priminha não entende a devoção e amor que tenho pelo seu pai (meu tio adorado) e nossa avó. Foram eles que me acolherem, deram colo, suporte para continuar vivendo...pois em paralelo à  isso meu pai arrumou uma amante e arruinou um bocadinho mais a vida da minha mãe.

Então...quando nasceu meu filho "nada mais justo" do que tratá-lo como o mais puro cristal! O banho era dado com um número extraordinário de água mineral, as chupetas e mamadeiras fervidas num caldeirão imenso,  que mais parecia um sopão a ser preparado. Areia de praia!?!? jamais pisou!!! (pobrezinho!) ia calçadinho com sandalinha Ortopé branquinha e comigo ( a dita mãe louca!!!) atrás ...de medo que pusesse o imaculado pezinho na água contaminada do mar!

Assim como fiquei traumatizada com a morte do meu irmão (trabalhada anos depois em muitas sessões de terapia)...traumatizei a bendita prima, que por incrível que pareça é madrinha do moleque (hoje com 21 anos).

Esse post é em homenagem à ela, que rejeitei quando nasceu, mas tive a sensibilidade e honra de acompanhar muitos momentos de sua bem-sucedida vida.

Dri...pra você nossa música:

"Agora eu era o herói

E meu cavalo só falava inglês.

A noiva do cowboy era você além das outras três...

Eu enfrentava os batalhões

Os alemães e seus canhões..." 

Beijos no coração e aqui tá um pedaço da minha história pessoal, que você desconhecia.

E uma música que eu AMO por diversos motivos e descobri, que você também gosta.

 



Escrito por Sô às 20h29
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Que venha a primavera!

 

Quando entrar setembro

E a boa nova andar nos campos

Quero ver brotar o perdão

Onde a gente plantou

Juntos outra vez

Já sonhamos juntos

Semeando as canções no vento

Quero ver crescer nossa voz

No que falta sonhar

Já choramos muito

Muitos se perderam no caminho

Mesmo assim não custa inventar

Uma nova canção

Que venha nos trazer

Sol de primavera

Abre as janelas do meu peito

A lição sabemos de cor

Só nos resta aprender

Aprender

 

Beto Guedes

 

Ela só poderia ter ido embora numa manhã de setembro, exatamente um dia após o início da primavera. Ah, D. Nilda! minha avó querida, meu porto seguro, minha companheira, confidente,  dona de tantas histórias, tantos risos e brincadeiras! Parecia eterna... Deixou saudades e lacunas que jamais foram preenchidas por outra pessoa e eu...fui obrigada a treinar a memória para não esquecer seus gestos, seu carinho, sua voz, seu sorriso, seu perfume, sua passagem.

Sonhamos juntas, reinventamos a vida...

Obrigada Vó.

 

Só me resta aprender.



Escrito por Sô às 17h13
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Fatos...

"A casa foi vendida com todas as lembranças.
Todos os móveis.
Todos os pesadelos.
todos os pecados cometidos ou em vias de cometer.
A casa foi vendida com seu bater de portas.
Com seu vento encanado.
Sua vista do mundo.
Seus imponderáveis." 

[Carlos Drummond de Andrade]



Escrito por Sô às 22h23
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Na frente da casa havia um jardim.As rosas, predominavam no espaço.Havia de todas as cores e tamanhos.Entre elas, sabiamente plantados encontrávamos pés de hortelã, salsinha, cebolinha, salsão...Nas noites quentes, escuras, estreladas sentíamos o perfume da dama-da-noite(nunca mais o esqueci).Sobre o muro, bastante desgastado pelo tempo uma flor de extrema e rara beleza abria-se de tempos em tempos.Havia paz, recolhimento, a vida que brotava dando continuidade à história.No entanto, não conseguia entender (e até criticava!) o porquê daquele buraco aberto num cantinho onde ela jogava cascas de frutas e ovos, borra de café e tantas outras coisas que infelizmente o tempo apagou de minha memória. Prontamente ela responderia se eu perguntasse. Isso, faz tempo...Um longo tempo. Mas não o suficiente para que eu a esqueça e ainda a veja de lenço na cabeça, avental amarrado nas costas, óculos com armação pesada, semblante fechado, mas que se abria num  sorriso quando me chamava para comer batatas cozidas e leite coalhado.Tinha sua própria didática no modo de ser, julgar, amar.E quanto amor recebi daquela imigrante lituana, que amou até o fim de seus dias a pátria que deixara para trás de forma tão irreversível no começo do século XX.

Naquele tempo, eu era criança e não entendia que as partidas eram sem volta:ia-se com a alma, as roupas enfiadas num saco e o coração dividido de esperança e medo. E então...No meio de suas muitas histórias contadas numa sala grande cheia de lembranças e objetos marcados pelo tempo, dizia-lhe toda faceira e feliz:

-"Vó, não fique triste não!Quando eu crescer nós vamos juntas para a Europa porque eu quero conhecer o pé-de-maçã que a senhora sempre fala e tentar entender como é esse forno que aquece sua casa no inverno. - Você me leva?"E ela, já com os olhinhos bastante cansados, mas eternamente azuis como a água do mar mais lindo, respondia:

-"Claro!"

Ela morreu...E nunca saímos daqui...Por isso choro.

Me perdoa, Vó. 

(Crédito das fotos: Denise Arcoverde/Travel-Del-Roads )



Escrito por Sô às 20h45
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